Super Ego

E a vontade que dá
sair gritando por ai
gritando que te quero
quero mais que tudo que sonhei
sonhei com muitas possibilidades
possibilidades que nunca tive
nunca tive como essa
pois não posso te tirar do espelho
por mais que grite que te quero
esse espelho ainda atrapalha

Palavras

Palavras são
adendos
anexos
extras

Podem ser simples
compostas ou retrógradas
saem pela boca ou pela mão

Palavras são
frágeis
fortes
complexas

Podem ser ricas
pobres ou medianas
entram por um e saem por outro ouvido

Palavras
elas tem vida própria
se fazem, são fingidas

Podem e não podem
querem e não querem
são apenas capazes
de conseguir o que querem

Lembranças únicas

E hoje, olhando alguns objetos
lembrei de você... só você!
Só você sabia como mudar de música
sem perder o ritmo da dança

Ainda que não bailasse,
sabia me embalar com seu suave toque
de doçura que me envolvia.
Olhando alguns objetos, senti sua falta.

Lembrei do modo como me olha
único e ao mesmo tempo singelo
de uma singularidade que não sei explicar

Senti falta de seu toque que sentia faltar
senti falta do seu olhar que sentia faltar
senti falta de dizer, o que não te disse.

Toque do Tempo

Toque, toque, toque
quem era, perguntei,
perguntei sem nada ouvir
havia alguém... sempre houve

Se era alguém conhecido
já não sei, nem poderia saber
foi-se com o vento que soprava
foi-se com o tempo, nada deixou.

Sinto que não há mais volta
pois desapareceu com o tempo
e o tempo é cruel

Sinto que não há mais porque regredir
pois voltar no tempo
é atrasar o futuro, tão promissor.

Por Thaís Silva

Hoje o post é de uma grande estudiosa de literatura que tenho o prazer em ser amigo. Thaís Silva é mestranda em Letras pela UFV e estuda principalmente a obra de Raquel de Queiroz.

"A boa ficção tem muito mais peso do que a modesta realidade".

É com essa frase singela, mas muito significativa, de Maria Luíza de Queiroz (irmã de Rachel) que reconheço o grande caráter da literatura. Talvez seja esse o fator que justifica a grandiosidade de obras literárias de chunho social, que, mesmo abordando temas que nos são tão recorrentes, tão familiares, ainda assim essas obras conseguem nos arrancar de nossos confortos e nos comovem, nos chocam, nos instigam.

Como ler Jorge Amado sem se comover? Sem se sentir tão parte deste mundo e, ao mesmo tempo, tão alheio a ele? Como ler Erico Veríssimo e não se deixar conduzir por uma viagem no tempo, num período em que as cidadezinhas do interior tinham mais valor; num contexto em que a política era questão de honra; numa época em que se tinha gosto por ouvir boas histórias?

Isso tudo é característico na Literatura. Essa transposição para outros lugares, não para perder o leitor, mas justamente para situá-lo naquele contexto que lhe é de origem. Pois ao ler Machado de Assis, se entende o porquê de tantas mulheres usarem a dissimulação como hábito de vida (elas precisavam sobreviver de alguma forma!); é em Graciliano Ramos que se compreende o verdadeiro valor de uma propriedade; e é em Rachel de Queiroz que se aprende a verdadeira alegria de viver: a liberdade (em todos os sentidos que essa palavra consegue abarcar).

Amemos a literatura, então.Pois ela consegue pesar muito mais do que uma singela realidade...

Para quem quer ler segue o link direto para o blog da Profª Ms. Thaís Silva.

Dulcefarniente

Em você

É quando pede que não te toquem,
que me dá uma vontade louca de você...
sentir seu rosto, deslizar minha mão.
onde quer que seja

É quando sei que não posso tocar,
que sinto uma louca vontade de você...
sentir sua pele, minha língua deslizar.
onde quer que seja

É quando meus olhos te tocam
que fico louco me deslizando em você...
por toda parte

É quando sei que não posso te ter
que me deslizo sempre...
e fico no mesmo lugar.
Powered by Blogger