Problema do Tempo

O problema é que não temos tempo. O problema é que nunca temos tempo. Nunca temos tempo pra gente. Ora são as pessoas que passam... horas desperdiçadas procurando não se sabe ao certo, e se é certo... ora somos nós que passamos, certos, convictos do rumo que tomaremos. No fim, perdemos tempo achando que estamos economizando. Minutos de conversas com amigos ou conhecidos do colegial. Segundos para cumprimentar uma pessoa do outro lado da rua. Desviamos olhares e olhamos para o nada. É preferível se desfocar que focalizar um segundo que seja em algo.

Suavizamos nossa ignorância nos falsos "bom dia" ou nos hipócritas "olá, tudo bem". Quem realmente se importa como estamos? Ou como a outra pessoa está? Acabamos que perdemos tempo com tantas coisas que achamos importantes que futilizamos as que realmente importam, a importância.

Se hoje chegamos ao nível de conversar com nossos pais por telefone, de namorar pela internet e de viver milhares de vidas que não são nossas, devemos agradecer a nossa imbecilidade em ser covarde de enfrentar o mundo. O problema é que não temos tempo, não temos tempo de querer ser nós mesmo, ainda que isso seja difícil.

Pequenos Pensados Escritos

Se eu pudesse eu diria. Mas tenho medo. Covardia essa minha. Mas deixo assim ficar até poder ter coragem... não quero ouvir um não. Isso me machucaria, pois o que sinto é muito forte.

Necessidades

Hoje eu não queria ser bonito!
Amanhã quem sabe...
Hoje eu não precisava ser atraente!
Outro dia, talvez.

Preciso de uma mente nova
um carro novo, uma vida além
dos três por quatro que vivo.
Preciso disso, estou certo.

Preciso de de uma caixa
de papelão. Azul, cinza, grená.
Pequena ou média! É para guardar!

Passe uma fita e jogue ao mar
Preciso de uma mente que não mente.
Preciso pensar em ser feliz.

Selvagem

Selvagem é o doce veneno da cobra
ora te alucina, ora te elimina
ensina a não ser mais gente, chora,
se enrola na dor do corpo que germina

Selvagem é leve picada da aranha
que se entranha e se volta em loucura
sem cura, mordida, seca, de piranha
arranha e se desdobra na pele dura

Quiser eu ser selvagem e ter poder
saber e entender detalhes da vivência
eloquência é pensar que posso compreender

Nada é cru aos olhos de sobrevivência
vemos simploriamente como um ser
sem ser realmente, quase sem essência.

Perdas

Tão presunçosa é essa vida que
de tão seca congela corações.
Efeitos sem sentido e sentir
sem efeitos. Moralidade, insanidade.

Perdido em aglomerados e,
aglomerado em perdas. Só,
apenas só posso entender
o que não tange minha existência.

Colho frutos e o chão me colhe
sou absorvido e dou forças a terra
hoje gente, amanhã indigente

O que é mais efêmero que viver?
Talvez a própria morte se, caso,
ela não deixasse eterna dor.
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