Destoado do tempo [2]

Era uma noite como outra qualquer. Sentado em um banco na rua do lazer. Não sei porque se chamava assim, pois o único lazer ali eram aqueles balanços quebrados, manchados de porra e cercado por camisinhas. O lazer eram das putas, ou as putas proporcionavam o lazer. Não me pergunte o porquê eu estava ali. Nem eu sei responder.

Ali passavam putas diversas com diversos tipos de pessoas. Acompanhavam elas, homens de meia idade, trabalhadores no final do expediente, mulheres decididas, jovens no despertar da puberdade, jovens querendo experimentar outras coisas... Eu, sentado no meio fio que ainda estava menos sujo, observava todo o movimento.

O dia estava meio frio, ou eu estava me sentindo assim. Acho que minha regata não colaborava, ainda mais com aqueles buracos que nela existia há anos, só criando outros. Minha mão magra, quase sem gordura ajudava o frio a dilacerar meu corpo. A cada hora outras diferentes putas, passavam com outros diferentes clientes. Cada um com sua vida e sua forma de fugir de sua realidade.

As últimas pessoas que avistei, foram um senhor de meia idade e um jovem descendo de um carro, no outro lado da rua, entrando em uma loja de conveniência. Minha mão trêmula e minha boca seca já sangravam muito até que não aguentei mais observar a vida dos outros. Era hora do meu flash de vida no momento de morrer. Quando passa um filme em sua cabeça para que possa se libertar. Não tive tempo para ver meu filme até o fim... a luz que todos falam apareceu rapidamente, ao lado de pessoas de branco. Da sarjeta ao hospital público... Alguém ainda acreditava em mim.

Destoado do tempo

Já se ouvia aquela música estrondosa de longe. Sábado. Noite de sábado. Ele, em seu carro passado de dez anos de uso, para não pagar imposto, contudo era conservado. O carro e ele. Meia idade, mas aparentava seus 30, no máximo. Estilo garotão ainda, vivia sozinho desde que sua mãe faleceu, deixando uma boa fortuna a ele. Logo, ao receber, resolveu se mudar para região metropolitana de Goiânia. Seu dinheiro daria pra viver até morrer, caso ficasse solteiro para o resto da vida. E, assim decidiu fazer. Não deu muito certo por obra do destino uma coisa, um filho ao acaso. Ele aparentando seus 30, nem se podia dizer que aquele menino de 20, com cara de adolescente era seu filho. Nem ele podia dizer, afinal, do menino só conhecia o número da conta bancária qual depositava todo mês a pensão, obrigado pela justiça. E só a conta do menino, pois ele mesmo não tinha, coisas de pessoas do interior.

A noite estava tranquila, com poucos carros na rua, uma lua que brilhou no céu apenas há 20 anos atrás, quando se deitou com aquela mulher, a mãe do menino, menino que ele sustenta. Mas isso já não mais importa. No decorrer dos anos que foram passando apenas para os outros, ele foi para cama com outras mulheres - loiras, morenas, ruivas - foi pra cama com outros homens - loiros, morenos, ruivos - e para sair da rotina frequentava algumas casas de massagens onde podia ir pra cama com homens e mulheres - loiros e loiras, morenos e morenas, ruivos e ruivas...

Ele não tinha mais pudor depois que sua mãe falecera. Era um homem de todos. Gastou muito com programas de televisão de canal fechado, gastou muito com programas realizados por profissionais do sexo. Eram muitos seus ideiais... era pouca sua inteligência.

A porta da boate estava cheia. Mas como em qualquer lugar do mundo esnobe dessa sociedade, o dinheiro abre portas. Na capital do centro do país isso não muda. Era o que chama hoje de VIP, quase que alguém importante nos olhos dos invejosos que o viram furar fila. Passou, entrou direto ao camarote e já pediu um energético. Precisava estar animado. Em dois dias iria conhecer a cidade maravilhosa. Sim, com tanto dinheiro ainda não havia pensado em viajar, exceto para as fazendas no interior do estado que comprou.

Um energético foi o suficiente para animar. Tocava uma modinha qualquer, dessas músicas barulhentas que toca em qualquer boate que atraia os jovens, e também os senhores de meia idade que se acham jovens. Uma menininha, vestidinho colado, pele clara e nada delicada se insinuava para ele, a medida em que fingia dançar. Dançavam colados, rosto a rosto, pele a pele, mãos nas bundas. De provocante a cena ficou constrangedora. Ele mesmo deu um perdido na menina, melhor dizendo, dispensou-a. Um garoto no canto sentado sozinho e bebendo um Ice chamou sua atenção. Ia aproximar quando a menina que antes o provocava sentou com o rapaz do Ice.

Pensou, sabia que podia ser uma chance de puxar papo com ele, já que ela ali estava. Nem precisou, a menina foi até ele e o arrastou até a mesa.

- Meu amigo gostou de você... - antes que ele pudesse responder ela já completava - e eu também gostei. Gostamos de homens maduros.

Ele não gostou de ser identificado como homem mais velho, ainda era garotão. Mas os dois olhavam de um jeito que prendia seu comportamento de negação, ainda que houvesse. O rapaz continuava a beber seu Ice, tímido, parecia um adolescente, talvez um adolescente playboy, percebia pela blusa Nike que vestia.

- Quer mais um Ice? - o garotão ofereceu para socializar mais rápido.

- Podemos tomar em outro lugar, mais calmo...

O recado estava dado. Meia hora de festa e ele já laçava sua vítima da noite. Ou suas vítimas. O rapaz do Ice e a moça provocante. Saíram os três. Ele, todo pomposo, os chamou pra sua casa, em seu Vectra GT. - É o mais simples - gabava-se ele. No carro ele dirigia e via os dois se beijando atrás. - Eu também quero participar da brincadeira - sorria com canto de boa.

Pararam na primeira loja de conveniência que estava aberta, desceram os homens para comprar a bebida. 20 garrafas, decidiram por levar uma vodka e um refrigerante de limão também. O balconista pode ver quando o garotão, no caminho, passou a mão na bunda do rapaz, que levava a bebida. No banco de trás, a provocadora retocava a maquilagem. Queria ser ainda mais provocante. Algumas voltas na cidade e chegaram a casa do homem. Carro na garagem. Desceu os três. Ela encosta o garotão na parede, o rapaz faz com a moça um sanduíche. Mãos desconhecidas passam pelos três corpos. O rapaz pega a bebida e a chave da casa. Entra e vai a cozinha preparar os drinks. A moça fica no sofá com o garoto mais velho.

- Três copos de vodka com limão e gelo.

O rapaz serve a moça e ao homem da casa. Brindam. O homem tenta beijar o rapaz, que se esquiva. Ainda consegue passar a mão no corpo do rapaz. Bebem mais. Ele tenta novamente. Mas dessa vez cai tonto. Vodka é muito forte para pessoas fracas, ignorantes, de pouca inteligência.

Quando acordou, no dia seguinte, não sabia onde estava. Sua cama era o chão da sala, que vazia estava. Os quartos era cômodos de fantasmas. Exceto o quarto de hóspedes, que havia panos rasgados. Guardar dinheiro em colchão nunca foi uma boa ideia. Pensou em chamar a polícia, mas o que dizer? Havia sido roubado por uma garota e um menino que não conhecia e levou para sua casa?

Nu, como os jovens o deixaram, foi ao jardim verificar se ao menos as roupas sujas estavam ainda na máquina. Porém não havia mais máquina. Sem lenço e sem documento. sem roupa, sem dinheiro. Voltava a ser quem nunca deixou de ser, um pouco pior agora. No espelho que ficou na sala ele começava a perceber que a velhice começou a chegar. 30 anos passou em questão de segundos. Antes um garotão, agora um homem de meia idade, tapeado por uma garota e um rapaz que tinha idade para ser o seu filho.

Luana

- Desculpe incomodar você. Imagino que esteja com pressa. Indo à faculdade, talvez. Mas eu preciso conversar com você, será que me dá uns minutos?

Foi assim que ele começou a conversa com aquela menina de olhos castanhos escuros e pele clara. Estavam em uma praça, no centro daquela metrópole, ao menos para ele se tratava de uma. Ela sem reação, sussurrou um sim, que quase não ouviu, mas perceptível pela expressão facial, um pouco assustada.

- Não se assuste, eu peço. - realmente não havia razão, era um moço bem aparentado, de mochila nas costas, alguns livros de literatura na mão e uma garrafa de coca-cola vazia, que jogara fora assim que a abordou - Não se assuste que eu só quero te dizer que te amo.

Lembro de ver uma reação estranha da parte dela. Do banco onde estava via e ouvia quase toda a conversa. Era como se sentisse o que estavam a dizer e pensar.

- Não se assuste novamente. Eu sei que isso pode parecer estranho. Mas quantas vezes nos encontramos na rua, deste modo. Você indo e eu vindo. Ou ambos indo ou vindo. Sei que nunca deve ter me notado. Mas eu sempre observei você. Sempre me chamou a atenção. Lembro-me uma vez que sorria com suas amigas, sentada na grama perto do prédio de estudos, tomavam sorvete e gargalhavam do menino que caiu de bicicleta.

Ela parecia estranhar, mas seu rosto sem fisionomia, pasma, se manteve...

- Pode parecer loucura, eu sei disso, mas eu me apaixonei por você desde o primeiro momento em que a vi. Estava eu passando pela calçada e você parada, esperando uma pessoa atravessar do outro lado da rua. Me deslumbrei com você. Logo você seguiu caminho, e ainda bem que não viu eu tropeçar no meio fio e cair justo na lama que havia se formado ali. A lama era o de menos, eu tinha encontrado você.

Nunca havia presenciado tal sublime momento de declaração. Ele pareceu ser sincero com os sentimentos. Ela ainda estática, movia-se apenas para tirar o peso de um lado do corpo para o outro.

- Parei você hoje, pois tive medo de ser nosso último encontro. Quando poderei vê-la de novo não se sabe. E se nunca mais a visse, como saberia o que sinto por você? Você simplesmente não me reconheceria, ainda que escrevesse um poema em seu nome. Poderia lê-lo anos depois ou ainda hoje, e não saberia que a Luana dos meus versos seria você.

Nessa hora, ela olhou pra mim. Esperava que eu fizesse algo. Levantei e fui até eles.

- Desculpa, mas qual seu nome?

- Daniel - disse ele meio confuso com minha presença. Ela deu continuidade a conversa.

- Daniel, gostei muito da sua sinceridade e achei muito importante você vir conversar comigo. Mas eu amo meu namorado. Desejo sorte pra você e peço desculpas por não ser como você esperava.

Sem reação, ele ficou ali, sentado onde eu estava. Luana e eu seguimos caminho. De longe olhei pra trás, ele jogava uma folha fora, possivelmente um poema com nome Luana.

Uma Quinta Feira Qualquer

- Ei vizinho!

E foi assim que começou toda aquela algazarra. Eram quase meia noite de uma quinta qualquer. Na verdade, isso começou no dia anterior, com a fumaça do churrasco do 102 no jogo do cruzeiro. As meninas do 202 sentiram o cheiro e reclamaram.

- Como está tendo churrasco e vocês não convidam a gente?

Meninas lindas, eu confesso. Mas afirmo depois da quinta, depois de alguns gritos. Começou com duas janelas, até que totalizaram 8 janelas do prédio, no vão que elas se encontravam. Meninas e meninos universitários interagindo. Cada hora um aparecia na janela, janelas com uma pessoa, duas, três, quatro, até cinco pessoas.

Ninguém estava bêbado, ninguém estava criando confusão. As pessoas simplesmente lembraram que o mundo imediato é um saco e resolveram encontrar o método mais prático de conversa: as sacadas e janelas. Como minha avó fazia, como a moça feia de Chico fazia, apenas para parar o mundo e sentir para si a poesia que ele cantava.

Risos, gargalhadas, estilhaços de sons por todo canto. A felicidade ali pedia passagem. Estavam querendo saber mais do churrasco do 102, sobre os torcedores do 303, os moradores do 404... Times, arrotos, músicas, lirismo... eram falas ritmadas pela alegria em se viver aquele instante.

Tempo depois, antes ainda da meia noite um dos apartamentos grita forte, reclamando do excessivo barulho. Me perguntei nessa hora, por que algumas pessoas não conseguem sentir a poesia do mundo e se fecham em paredes, escutando apenas os ruídos de algo que não existe?

Com o tempo

Com o tempo as luzes vão se apagando
as pessoas dizem adeus
as flores perdem suas pétalas
as animais se brigam devido ao frio

Com o tempo os navios partem
as águas se acalmam
a lua aparece no céu
os olhos já não suportam ficar abertos

Com o tempo a doçura se vai
brinquedos se quebram
como meu coração

Pedaços que já não se unem mais
lacunas que ficarão eternamente ali
esperando uma solução que talvez não haja

Eu tenho medo

Eu tenho medo do que já fui. Do que sou. Principalmente do que eu ainda posso ser. Medo da noite, do dia, da escuridão e da luz. Medo do caminho, do ponto de partida, da hora da chegada. Eu tenho medo de olhar pra trás e arrepender, medo de olhar pra frente e ver que não era bem isso que queria. Medo de não poder tocar meus olhos, quando chorar. Medo de não poder enfiar a cara no travesseiro, quando precisar sumir.

Eu tenho medo das perdas e dos ganhos. Medo de não poder abraçar o mundo, quando eu me sentir preparado pra isso. Medo de viajar sem destino, ainda que esse seja o meu maior sonho. Medo de me perder em mim e não encontrar como voltar. Tenho medo das coisas simples e complexas. Medo de complicar as coisas simples e tornar fáceis as coisas complexas.

Eu tenho medo de quando olhar no espelho não me reconheça mais, por isso não tenho mais espelhos. Medo de não poder sentir mais as coisas com meu olhar e não poder ver as coisas com o coração. Medo da angústia, da antipatia, da solidão. Medo de acordar num vagão ilusório, onde eu mesmo me tranquei. Eu tenho medo de tudo, inclusive de ter medo das coisas.

Histórias de Bêbado

-Tira a mão da minha bunda! - Gritava o bêbado do outro lado da rua para aquela moça ao lado dele. - Acha que só porque bebi um ou outro gole de álcool pode chegar e passando a mão em mim? Me respeite senhorita!

A moça, abismada, ficou ali parada, sem nada entender. Já eram 7 da noite, ela estava cansada. Voltava do trabalho quando tudo isso aconteceu.

- Não se faça de santinha não! Eu não sou um bêbado que fica jogado às traças não. Tenho família. Bebi hoje, como nunca mais beberei, porque meu dia foi difícil. Perdi a mulher da minha vida...

Estática ali, naquela lamentação, ela continuou a escutar o bebum.

- Perdi a mulher da minha vida pra um safado que dizia ser meu amigo. Ele me traiu. Não, ela me traiu. Não, os dois me traíram. Por isso fiquei encostado nessa parede chorando. E isso não te dá o direito de meter a mão na minha bunda.

Já sem paciência alguma para o bêbado, resolveu interagir.

- Peço desculpas, mas é que achei você muito bonito, aliás, gostoso, e passei a mão mesmo.

- Obrigado, ao menos tentou levantar minha auto-estima.

Com assunto encerrado, ela foi embora. E, antes que fosse, passou a mão na bunda do bêbado mais uma vez.

10 centavos

- E se amanhã eu morrer? Ninguém sabe o que acontece no dia seguinte, na hora seguinte, daqui uns segundos. Eu posso morrer a qualquer hora.

Foi exatamente assim que ela começou aquela interminável discussão. Dramática, como só ela sabia ser. Infelizmente ela não me pegou em um bom dia.

- Caso morra, será enterrada ou jogada em uma vala qualquer no IML como indigente.

Seus olhos pularam nas palavras que saíram de minha boca e sua mão, suada, queria me esganar. Se conteve, sabia que não era o momento, não era hora. Resolvi encerrar logo o assunto.

- Moça, são apenas 10 centavos, mas se quiser, leve a bala de graça. No entanto, estarei aqui amanhã, caso precise realmente dos 10 centavos.

Indignada, levou a bala. Grosseira, virou-se bruscamente e batendo o salto alto de cor vibrante pelo tablado do fórum. Ela sabia que eu estaria ali amanhã, eu não saberia se ela voltaria e me pagaria os 10 centavos. Caso ela volte, de qualquer modo, guardei o brinco de ouro que caiu, quando se virou e foi embora.

Verificando o Amor

Se você quiser saber, eu acho mesmo que nenhum amor deveria se acabar. Nenhuma relação afetiva deveria chegar ao fim. Como é triste ver a tristeza nos olhos das pessoas. O fim de uma amizade, o fim de um namoro, o fim de um casório, o fim de um sentimento. Como é ruim a sensação de impossibilidade e passividade quando a última gota cai ao chão. Saber que o que passou foi enterrado friamente, com lágrimas gélidas e uma flor branca de compaixão.

Quer saber mesmo? Todos deveriam sempre se amar. Seja na terra ou em marte. Amor, estranho amor. Amor, simplesmente amor. Amor. Não importa como surja o sentimento, não importa de quem para quem. É preciso manter, é preciso fortificar, é preciso lutar por ele e fazer com que ele nunca se esvaia. Como é doloroso tocar o ombro da pessoa amada e pedir o último abraço, o último beijo. Seguir em frente, olhando pra trás e sabendo que ali, naquele momento, você deixou sua maior conquista, seu maior desejo, sua maior dádiva. Essa é a palavra. O amor é uma dádiva, que você deixou ali, naquele último toque.

Creio que amor é pra fortes, e pra fracos, e pra leigos, e pra quem quiser amar. Não há substantivo que o nomeie, adjetivo que o qualifique. Ele é atemporal, universal, e quando quer, imortal. Amor é algo que talvez os homens, a raça humana, não deveria sentir, pois é ignorante ao tratá-lo. É imbecil ao julgá-lo, e pior, é inconsequente ao senti-lo. Todos culpam o amor por tudo, o amor é cego, o amor nos faz encarar loucuras. Balela! O amor é a chama viva que te atiça a viver, saindo do submundo que você vive e experimentar coisas novas.

Na verdade, eu acho que todo amor deveria se acabar sim. Aliás, nem existir. As pessoas não sabem lidar com esse sentimento tão sublime, que simplesmente o colocam ao lado de outros e o mesclam, achando que isso é possível. O amor deveria ser proibido aos homens... Amor é tudo aquilo que você nega com palavras, e seu coração afirma com sentimentos.

Mais Um Dia Das Mulheres

Parabéns para as mulheres, que são força, são vontade. São sanidade, são loucura. Ora se fazem de grandes e abraçam tudo a sua volta, oram precisam ser pequenas e suportar a dor de um mundo que insiste em diminuí-la. Parabéns para as mulheres de garra, mulheres de coragem, mulheres volúveis, mulheres frágeis. Todas elas levam no corpo marcas de um passado obscuro e esperança de um futuro melhor. Mulheres, que só não apenas procriam, como criam realidades, oportunidades e desafios. Querem se superar, e o mais digno, o fazem com elegância. Superam limites e obstáculos. Superam ser mulheres, que já não é fácil, para se tornarem grandes mulheres. Ser mulher hoje em dia é sinônimo de diversas outras coisas, mas seu significado é apenas um... E esse segredo cada mulher carrega consigo. Não é algo que se possa traduzir, exceto sentir. Ser mulher talvez seja sentir o mundo e as pessoas de uma maneira não habitual hoje em dia, sentir com o coração. Parabéns!

Dois caminhos

Decisão requer certeza
Certeza nem sempre é fiel
Fidelidade não se impõe
Incertezas são mais certas

Dois caminhos, duas estradas
mais caminhos, mais encruzilhadas
sentimentos não dão segurança
ora amo, ora odeio, ora choro, ora enlouqueço

Sanidade que me abomina
quero ser anjo e diabo
quero ser mestre e aprendiz

Loucura que me alucina
Traga-me um cigarro
Eu mesmo apago as luzes
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