O amor? Quem tem propriedade para falar desse sentimento tão voraz que, quando quer é cego, quando quer é ódio. Um sentimento tão sublime e de tão perfeito nos faz seres imperfeitos, incompletos. Quando com ele estamos, somos usados como marionetes e bonecos infláveis e sem ele somos apenas brinquedos velhos esquecidos num mundo que ostenta vaidades?
Quem poderá falar dele, se nem ele é capaz de ser apenas o que deseja? O amor é um aglomerado se sentimentos estranhos e confusos, ora é fogo ou vendaval, em um mesmo instante é alegria e carnaval. Frágil como ele só, forte como quem consegue despedaçar um coração apenas por amar quem não se pode ser amado. Ele é volátil, ele é ingrato, nada se sabe sobre ele, apenas se sente. Quem sente amor pode falar de todas suas características, todas as suas conseqüências. Mas ninguém sabe o que é o amor para poder descrever o que ele é, ou quem ele é!
O amor? Eu não tenho prioridade para falar dele, apenas o sinto, às vezes. Quando a noite cai, quando o dia esfria, quando o sol nasce e quando minha alma arrepia. Sei o que todos sabem, e todos não sabem de nada. Sinto o que só eu posso sentir, ele consegue ser universal, ao mesmo tempo, individual, subjetivo. Ah o amor que machuca, que entristece. O amor que cura e engrandece. Quisera eu poder separar o joio do trigo, o céu do mar e o coração do olhar.
Quando penso ver o amor, ele adquire facetas, e dessas mil que consegue ser, me perco em questão de segundos na essência do meu ser e me deixo levar. O amor sabe maltratar. Mergulho num mar infinito, o amor possui calma, possui grito. Quando me deito, suas ondas me levam ao paraíso, quando dou por mim, já estou sem juízo. Perdido entre doçuras e desafetos, o que era muito previsível.
Amor é causa perdida, é prêmio de loteria. É motivo de paz, razão de
rebeldia. Quer saber o que penso do amor? Confesso que eu não sei o que é, ainda prefiro ficar na ignorância. Sou tão velho, tão romântico, que sei viver na minha irrelevância.
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