Conversas Soltas - Desabafo.

Você já parou para pensar o motivo de nos sentirmos tão tristes. Pensamos que, na maioria das vezes, não sabemos o porquê. Lá no fundo, sabemos sim. E é assim que me sinto hoje... É muito triste ver sua Vida escorrer por entre seus dedos e nada poder fazer. Quando digo vida, é aquela vida que sempre quisemos. Vida com V. A minha... eu não a tenho.

Como me sinto mal quando vejo as coisas que quero ir embora. As pessoas que me cercam não estão nem aí se estou bem ou não. Fingir felicidade basta à elas. Se estou triste, elas me falam dos problemas delas para me alegrar. Me falam da dificuldade da vida deles e da vida de modo geral para me alegrar. Ah que pessoas que tenho a minha volta.

Me escutam sempre, sempre que não há nada melhor que fazer. Favores pra mim? Pra que? Basta os que eu sou obrigado a fazer a todos. Isso é bom... ah como é bom... Fico tão feliz em ajudar todos e ficar quietinho assim...

Se não falo a ninguém o que se passa, é porque perdi a confiança. Minha confiança se foi há muitos anos. Nas pessoas que me magoaram e magoam já não confio, nas outras que ainda não fizeram, me detenho em mim. Prefiro magoar a mim, com meu mundo. Que deixar outro mundo bater no meu.

Agora prefiro me calar, antes que eu comece a falar a dor que tenho em ter nascido. Afinal, nascemos pra viver... eu existo não sei pra que. Mas não pense que farei loucuras aqui... Apenas um desabafo louco de um louco pra os loucos que leram, e que, não entenderão como deveriam.

Twitter | Blog | Site

13 de setembro. Aniversário de 22 anos de um dos maiores acidentes radioativos do mundo. Césio 137 - Goiânia - Goiás - Brasil.

Leide Das Neves (foto)



Hoje é 13 de setembro. O que tem esse dia? Neste dia, no ano de 1987, eu estava ainda querendo nascer. Faltavam 74 dias para que eu viesse ao mundo. Mas ainda, o que tem isso? O dia 13 de setembro de 1987 foi conhecido pelo Acidente Radiotivo em Goiânia. Alguém se lembra da proporção que tal acidente tomou?

O acidente em Goiânia foi um grave episódio de contaminação por radioatividade ocorrido no Brasil. A contaminação teve início em 13 de Setembro de 1987, quando um aparelho utilizado em radioterapias foi encontrado por catadores de lixo, jogado fora de maneira indevida pelo hospital que já estava abandonado, na zona central de Goiânia. O local mais preciso é onde se encontra o Centro de Convenções de Goiãnia, região situada entre o centro da cidade e o bairro mais antigo, Setor Campinas.

Este aparelho foi desmontado e repassado para terceiros, gerando um rastro de contaminação o qual afetou seriamente a saúde de centenas de pessoas. Isso decorreu do fato que o pó, encontrado no interior do aparelho ter uma "luz brilhante azul", que chamava a atenção das pessoas.

A contaminação em Goiânia originou-se de uma cápsula que continha cloreto de césio - um sal obtido do radioisótopo 137 do elemento químico césio. A cápsula radioativa era parte de um equipamento radioterapêutico, e, dentro deste, encontrava-se revestida por uma caixa protetora de aço e chumbo. Essa caixa de proteção continha também uma janela feita de irídio, que permitia a passagem da radiação para o exterior.

O Instituto Goiano de Radioterapia (IGR) era um instituto privado de radioterapia, localizado na Avenida Paranaíba, no Centro de Goiânia. O equipamento que gerou a contaminação na cidade entrou em funcionamento em 1971, tendo sido desativado em 1985, quando o IGR deixou de operar no endereço mencionado. Com a mudança de localização, o equipamento de teleterapia foi abandonado no interior das antigas instalações. A maior parte das edificações pertencentes à clínica foi demolida, mas algumas salas - inclusive aquela em que se localizava o aparelho - foram mantidas em ruínas.

Tão logo expostas à presença do material radioativo, as pessoas em algumas horas começaram a desenvolver sintomas: náuseas, seguidas de tonturas, com vômitos e diarréias. Alarmados, os familiares dos contaminados foram inicialmente a drogarias procurar auxílio, alguns procuraram postos de saúde e foram encaminhados para hospitais.

Quando o alarme de contaminação foi dado já era tarde demais. A radiação já tinha se espalhado para centenas de pessoas. A tragédia repercutiu no Brasil e internacionalmente. Nessa época, o mundo ainda se recuperava do desastre causado por um vazamento na usina nuclear de Chernobyl, na antiga União Soviética, ocorrido um ano antes.

A limpeza produziu 13,4 toneladas de lixo atômico, que necessitou ser acondicionado em 14 contêineres que foram totalmente lacrados . Dentro destes estão 1.200 caixas e 2.900 tambores, que permanecerão perigosos para o meio ambiente por 180 anos. Para armazenar esse lixo atômico e atendendo às recomendações do IBAMA, da CNEN e da CEMAm, o Parque Estadual Telma Ortegal foi criado em Goiânia, hoje pertencente ao município de Abadia de Goiás, onde se encontra uma "montanha" artificial. Assim, os rejeitos foram enterrados em uma vala de aproximadamente 30 (trinta) metros de profundidade, revestida de uma parede de aproximadamente 1 (um) metro de espessura de concreto e chumbo, e sobre a vala foi construída a montanha.

Após o acidente, os imóveis em volta do acidente radiológico tiveram os seus valores reduzidas a preços insignificantes, pois quem morava na região queria sair daquele lugar, mas o medo da população da existência de radiação no ar impedia a compra e construção de novas habitações.

Somente no final dos anos 90, a região começou a passar menos "assustadora" para os novos inquilinos, através de ações do governo municipal e estadual para a revitalização da região, revalorizando as casas que estavam nas mediações do acidente.

Poucas pessoas sabem, mas o objeto onde encontrava-se a cápsula de césio foi recolhido pelos militares do Exército, da Seção hoje conhecida como DQBN (defesa química biológica e nuclear) e encontra-se exposto atualmente como um trófeu em agradecimento aos que participaram da limpeza da área contaminada, no interior da Escola de Instrução Especializada (EsIE), em Realengo na cidade do Rio de Janeiro, capital.

Fontes:
1. ↑ International Atomic Energy Agency. The Radiological Accident in Goiânia. Vienna, 1988, pp. 18-22, ISBN 92-0-129088-8
2. ↑ Idem, p. 18.
3. ↑ Ficha Técnica de Pesadelo de Goiânia no IMDb

Twitter | Blog | Site
Powered by Blogger